Um pássaro negro.
Graúna.
Pássaro encantado de bom agouro que não se vê mais.
Primaveras e Ipês enchem a rua de flores e cores, mas da Graúna sobraram apenas sombras de pardais.
Talvez a Graúna voou para o mesmo silêncio onde já devem estar aqueles que consagram seu nome numa placa de rua. Lá não se dá nem um pio.
A rua Graúna é um pedaço de caminho que traz uma saudade estranha, não sei de que.
Dá assim uma vontade de ficar à sombra do imenso pé de pitanga, que é um verso na frente daquela casa e a esconde dos demolidores que chegam a Moema com seus tratores.
Essa saudade não sei de que na Graúna quem sabe seja a mesma que a gente sente ao ver fotos em preto e branco num velho álbum de família.
Na Graúna ainda existem reservas especiais de suaves sombras e contrastes, em sobradinhos onde é possível que um casal de velhinhos, da safra de 1.930, se debruce na janela.
Abre a janela Maria que é dia
Abre a janela que o sol já raiou
Os passarinhos fizeram seu ninho
Na janela do seu bangalô
Na Graúna dá vontade de buscar canções perdidas no tempo. E cantar.
É uma rua onde a saudade brinca de esconde-esconde e às vezes está atrás de um portão ou enveredada vila adentro, essas vilas surpreendentes em ruas de Moema, onde as pessoas entram e saem de si sem que o vizinho se incomode.
Quem ainda não caminhou pela Graúna, que dê o primeiro passo e saia do desencanto. Porque nada é mais sem graça do que andar desencantado pela vida.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
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