RUA BEM-TE-VI

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Cuidado que o Bem-Te-Vi te vê

segunda-feira, 19 de abril de 2010

RUA PAVÃO

Ah, se os jovens da rua Pavão pavoneassem com uma cauda de longas penas.
Ah, se eles a erguessem num grande leque vertical e assim atraíssem as garotas para um vai-e-vem colorido.
Mas, falta aos jovens a altivez natural do Pavão.
Tatuagens, brincos, piercings e bíceps bombeados não engrandecem a postura. Só lembram impostura. E não têm nenhum poder de sedução, pela mesma vulgaridade que faz tantos pardais tão iguais.
Por que não diferenciar o corpo e o espírito por caminhos transcendentais? Mansos, o corpo e o espírito são irresistíveis e incomparáveis.
Por que as garotas não preenchem o vazio de tantas floreiras nas varandas e criam na Pavão jardins suspensos da Babilônia?
Existem lojas de vasos e flores pertinho de quem tem olhos para ver.
E ai de quem não viu além da escuridão de seus óculos escuros as flores de Manacá da Pavão. Ficam lindas as mulheres que pegam nas lojas a cor lilás das flores de Manacá e se vestem dela num dia de sol.
Em moda fina ou pret-a-porter o lilás lembra a paz de descer caminhos da Serra do Mar ao encontro do primeiro amor da adolescência. Nessa visão da inocência, nada se perde e a alma se transforma, fica meio sonho de confeitaria, meio pão com manteiga da padaria, meio porcelana, meio pedra preciosa, entra no reino das crianças, sente saudade da comida de casa, papai-mamãe, descarta por uns tempos os alimentos práticos, os espelhos dos hair-centers e contempla amorosamente uma casa antiga da pequena Arapari, uma rua atravessada na Pavão.
Pavonear na Pavão.
Experimente, depois de uma chuva de verão, quando o Sol brilha nas folhas molhadas das árvores.
Quem sabe você encontra uma mulher vestida de lilás, sob nuvens brancas paradas no ar. Quem sabe ela já está esperando você.
(miguel arcanjo terra)

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